Palestra USP Alfred Knopf e as traduções das obras de Jorge Amado nos Estados Unidos

Data do Evento: 
sex, 19/03/2010 - 15:30

 

 

Ciclo de Palestras sobre Tradução

CITRAT* e Departamento de Letras Modernas, FFLCH, USP.

Avenida Luciano Gualberto 406, Cidade Universitária, São Paulo

 

Primeira palestra de um ciclo de palestras mensais organizadas pelos professores de tradução do Departamento de Letras Modernas da FFLCH da USP.

 


Alfred Knopf e as traduções das obras de Jorge Amado nos Estados Unidos

Marly Tooge, Doutoranda, FFLCH, USP

Jorge Amado, cujo nome consta do Livro Guinnes de Records de 1996 como o escrito mais traduzido do mundo, esteve na lista de "best-sellers" do "New Tork Times" por quase um ano. Suas obras foram levadas para os Estados Unidos pelo editor Alfred A. Knopf, a princípio como decorrência da política de Boa Vizinhança do presidente Rooselvelt. A literatura traduzida era, então, vista como um caminho para compreender o "outro". Criou-se, a partir daí, um padrão de comportamento que perdurou por décadas. A idéia de brasilidade, já prenunciada nos Estados Unidos por Gilberto Freyre, com "Casa Grande e Senzala, e por escritores como Euclides da Cunha, com "Os Sertões", foram de considerável importância para as traduções produzidas na época. Mais fortes ainda foram as imagens cridas através de Carmem Miranda e do Zé Carioca, ambos vinculados à Boa Vizinhança.

Apesar de seu longo posicionamento de esquerda, após desligar-se do Partido Comunista no final da década de 1950, Jorge Amado tornou-se um "bestseller" norte-americano. Buscamos demonstrar como tal fato esteve atrelado a esse papel "diplomático" atribuído à tradução literária e ao projeto (também de amizade) de Alfred A. Knopf. Não obstante, as redes de influência que atuavam sobre a recepção da obra do escritor fizeram com que ela fosse assimilada de forma metonímica. Tal metonímia foi o fator que permitiu a aceitação de algumas obras do autor nos Estados Unidos e a rejeição de outras.

Palavras chave: Tradução, Representação Cultural, Jorge Amado, Alfred Knopf, Boa Vizinhança.