Visita científico-acadêmica a Curaçao (Janeiro 2014)

Data do Evento: 
qui, 27/02/2014 - 19:00 - 19:15

A pedido da Professora Lineide Mosca, divulgamos a visita realizada a Curaçao em Janeiro de 2014.

Visita científico-acadêmica a Curaçao (Janeiro 2014)

Lineide do Lago Salvador Mosca - Universidade de São Paulo

 

Conhecida como a “ilha das cores”, Curaçao é uma das ilhas do Caribe de colonização holandesa, tal como St. Maarten, Aruba e Bonaire. Sua capital – Willemstad – lembra bem Amsterdã, por sua arquitetura típica, com casarios preservados e tombados pela UNESCO como patrimônio histórico da humanidade (1996). Descoberta em 1499 por Alonso de Ojeda, que ali se deparou com índios da tribo arawak, a colonização espanhola ali permaneceu até 1634, quando os espanhóis foram derrotados pelos holandeses.
 

Grandes transatlânticos ali ancoram, trazendo visitantes de todas as partes do mundo, mas sobretudo da antiga metrópole. A bela ponte  Julianabrug ergue-se imponente exatamente para que esses navios possam transitar.Outra ponte famosa é a Queen Emma, ponte móvel que liga Otrobanda a Punda, duas regiões muito importantes da ilha. Luis Brion é um herói nacional que apoiou Bolívar na luta pela liberdade sul-americana e seu corpo se encontra no Panteão Nacional da capital venezuelana, Caracas. Há também  uma estátua em sua homenagem, doação do governo venezuelano, na maior praça de Otrobanda. A moeda local é o florim das Antilhas Holandesas (West Netherlands), mas o dólar é aceito em toda a ilha. Entre os produtos comercializados, destaca-se o famoso licor de Curaçao, feito com laranja-da-terra, cravo e canela, podendo-se degustar as suas diversas variedades, em visitação ao local. Importante também a visita ao Marsche Bieuw ou Plaza Bieu (Mercado Velho) onde se terá uma amostra significativa da culinária da região.

Estive em visita à Universidade pública de Curaçao, que me impressionou muito bem, pelo interesse dos alunos nas disciplinas, pelos profissionais competentes e pelo arejamento e limpeza das instalações. Desde 2013, a Universidade das Antilhas Holandesas (UNA) passou a levar o nome de um de seus estudiosos, Prof.Dr. Moisés da Costa Gomes. Cabe dizer que recaem 9% de impostos em todas as transações e que estes são revertidos em real benefício da população, das cidades e instituições em geral.

A língua oficial em Curaçao é o dutch, ensinado nas escolas e em que se faz a alfabetização. A língua local, o “papiamentu” (derivado de papia, “ falar”) é falada pela maioria da população e constitui uma conjunção de português, espanhol, dutch, inglês, e africanismos. Muitos grupos étnicos estabeleceram-se na ilha, o que resultou numa população bastante diversificada. Como importante porto comercial, ali estiveram espanhóis e portugueses (estes sob o domínio espanhol de 1580 a 1640), muitos deste vindos de Cabo Verde e Guiné-Bissau. Fui informada de que a parte de supermercados está hoje, em sua maioria, em mãos de portugueses.

Quando eu disse que no ritmo da fala cotidiana eu não os entendia, garantiram que se falarem lentamente dá para compreender. Na realidade, capta-se alguma coisa aqui, outra acolá.

Abaixo, uma lista de expressões, que retratam essa mescla de diversos idiomas :

      Saudações : bon dia, bon tardi, bon nochi

      Numeração : cero,um, dos, três, kuater, sinku, seis, shete, ocho, nuebe,

                          dies

      Expressões : Bon bini (“boas vindas”); kon ta bai (“como vai você ?”);

                           Mi ta bom (“eu vou bem”);mi ta bai cas (“eu vou para casa”);

                           Danki (“obrigado”).

      Termos diversos : kuminda (“comida”), dushi (“delicioso”), friu/kayente

                                (“frio/quente”);chiki/grandi (“pequeno/grande”); placa

                                (“dinheiro”); barata(“barato”); hopi (“muito”); botica

                                (“farmácia”).

A seguir, um texto em papiamento (“Rèspèt pa outro i pa nos komunidat”), seguido da versão em inglês e placa em homenagem a um dos pesquisadores e estudiosos do falar local , Dr. Raul Romer, falecido em 1985.

Algumas experiências no local revelam o espírito crítico com que olham a colonização: uma senhora forte e expansiva que dava informações, numa das visitas, riu dela mesma indagando como ela poderia ser holandesa, com aquela pele negra e aqueles cabelos eriçados? Igualmente, quando perguntei a uma outra senhora como se dava a alfabetização, ela sorriu e respondeu com ar irônico que se alguém quiser avançar nos estudos tem que ser em dutch, a língua da escolarização em Curaçao. Quando perguntei se o papiamento era falado também pelos europeus residentes, respondeu que uma vez que a maioria da população fala dutch, não sentem essa necessidade.

A escravidão marcou profundamente a região, que se tornou em 1700 um forte centro de comércio escravo, oficialmente abolido em 1863 pela Holanda. Há vários museus na cidade de Willemstad que documentam tudo isto. Vê-se a valorização da educação no funcionamento da Biblioteca Pública de Curaçao, com um sistema bastante estimulador : mediante o pagamento de uma taxa anual insignificante, o usuário retira livros em empréstimo, já que os livros são bastante caros na região.

 Depois de outubro de 2010, Curaçao tornou-se uma região autônoma dentro do “Kingdown of the Netherlands”, Reino dos Países Baixos, que abrange também outras ilhas do Caribe. Dada a sua origem histórica, com diversos componentes, Curaçao apresenta um ambiente multicultural de riqueza surpreendente, que é um convite aos mais variados visitantes.

  BON BINI !  BEM VINDO A CURAÇAO

 

Foto: 

Placa em homenagem a  Dr. Raul Romer, falecido em 1985, um dos pesquisadores e estudiosos do falar local


 

Para visualizar a postagem original, acesse http://www.gerar-usp.org/curacao_50.html