Os Meninos Azuis: o Pensar Alto em Grupo e a tradução de literatura infantil

"Tudo é misterioso nesse reino que o homem começa a desconhecer desde que o começa a abandonar", disse sobre a infância a poeta Cecília Meireles (1984). Esse afastamento (ou assimetria) entre adulto e criança constitui um dos grandes desafios da tradução de literatura infantil: não basta ao tradutor, ou tradutora, recriar inventivamente o aspecto lúdico, ponto-chave dessa literatura; é importante também que ele ou ela saiba reaproximar-se da "linguagem do tempo para o qual se traduz" (Azenha, 2005). O dilema com a linguagem em uso pelas crianças pode ser amenizado pelo Pensar Alto em Grupo: essa prática de letramento dialógica e colaborativa (Zanotto, 2014) se revelou uma excelente via de acesso àquele 'reino misterioso', ao dar vazão à voz e subjetividade infantis durante leitura e discussão de poemas. Os dados foram gerados em vivências realizadas no Brasil e na Inglaterra: crianças brasileiras leram poemas da Cecília Meireles, em português; e crianças estrangeiras leram as respectivas traduções para o inglês, recriadas pela pesquisadora em parceria com a tradutora e poeta britânica Sarah Rebecca Kersley. Nesta apresentação discutiremos o poema "O menino azul" (Meireles, 2012), traduzido por Sarah como "The blue boy": veremos em quais aspectos as leituras se assemelham e em quais elas se diferenciam, e como a recepção das crianças estrangeiras ao poema traduzido motivou a tradutora a recriar a quinta estrofe de sua tradução."

 

Telma Franco Diniz é doutora em Estudos da Tradução pela Universidade de São Paulo (2018), e mestre em Estudos da Tradução pela Universidade Federal de Santa Catarina (2012). É tradutora e pesquisadora, e atualmente pesquisa poesia, literatura infantil, leitura e tradução.

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